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Cordeiros

Fevereiro 8, 2008

 

cordeiro-a.jpgFoto: Simão 

 

Rosto comprido, airosa, angelical, macia, 

Por vezes, a alemã que eu sigo  e que me agrada, 

Mais alva que o luar de inverno que me esfria,  

Nas ruas a que o gás dá noites de balada;  

Sob os abafos bons que o norte escolheria, 

Com seu passinho curto e em suas lãs forrada, 

Recorda-me a elegância, a graça, a galhardia 

De uma ovelhinha branca, ingénua e delicada.

 

Cesário Verde,  Noites Gélidas-Merina, 1878

ovelhas1.jpg

Num mês de Janeiro frio, depois dum longo  serão passado no aconchego da lareira, acordamos para uma manhã soalheira de inverno, com um límpido céu azul  onde os pardais e bicos de lacre chilreiam enquanto praticamos yoga.

Escolhe-se a eira tranquila sobre o verde dos campos para o pequeno almoço demorado e retemperador.

E de repente…vemos os cordeiros, nascidos há apenas umas horas, que se quedam na relva a olhar-nos com a curiosidade natural de quem começa a descobrir o mundo. 

Passadas algumas semanas, abre-se a janela da cozinha ao som dos guisos e já se eles se aventuram em correrias atrás das mães, a caminho do laranjal, onde passam horas em cabriolas entre mamadas ligeiras e pequenos tufos de erva tenra.

Estes são dias calmos e tranquilos, com aroma de terra revolvida, onde nascem já os girassóis que hão-de iluminar de amarelo o nosso prado.