Archive for Setembro, 2008

Doze Primaveras

Setembro 23, 2008

A casa  faz muito mais sentido quando é habitada pelas pessoas de que mais gostamos:  tardes e noites tranquilas, conversas que fluem à roda da mesa ou das espreguiçadeiras, a pretexto de um livro, direitos de autor, uma viagem ou até os filhos. Tertúlias serenas a contrastar com a alegria das crianças que enche o pátio de corridas e gargalhadas, aproveitando o calor do sol para os banhos no tanque ou o escuro da noite para se aventurarem às escondidas nos recantos mais sombrios da casa.

É por esta boa energia que todos trazem à casa, uns e outros, que é sempre um enorme prazer partilhar a casa com os Amigos. Que por sua vez trazem novos amigos e assim a rede se vai alargando quase por acaso, no encontro das conversas.

E porque são eles os principais protagonistas nesta história, decidi aceitar a generosidade da Sílvia Alves, que com a sua enorme sensibilidade e sabedoria teceu as palavras e  fotos que aqui vos deixamos, para que o aroma e calor da festa não perdure apenas nas nossas lembranças. 

“Numa  casa onde continuamos a ter céu e sol depois de entrarmos, construída de tempo, afectos e paciência, recebe-nos uma bonita fada sorridente, a quem vamos devolvendo sorrisos ao reencontrá-la num cesto de pão fresco, num ramo de flores ou na brancura dos lençóis de camas antigas. 

 

 

Numa casa, já muitas vezes visitada por gente que vem de longe. Marina Colassanti esteve aqui, uma tarde, tecida na voz de Evaldo Barros: “Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear (… ) Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.” Tecer a vida com palavras é tudo o que fazemos.

 

 

Numa casa onde, por uma ou muitas vezes que vos for dado aqui passar, as estrelas à noite ou a conversa semeada pelos cantos hão-de soprar-vos sonhos de almas viajantes, celebrámos este ano, duplamente, uma dúzia de Primaveras. As da Joana e as da Francisca. Nascidas ambas a 6 de Setembro de 1996, num início de tarde, num dia igual em geografias diferentes. Conheceram-se há seis anos, que voaram num sopro, por obra do acaso, a propósito de histórias e de livros. E hão-de seguir caminhos diversos onde, desejamos, haja sempre amigos a chegar ou a serem lembrados.

 

“Não tenhamos receio das velhas lendas, pois a vida é mais velha que todas elas. As lendas podem nascer em todos os lugares, mas não viver em todos os lugares. Talvez possam viver em toda a parte… mas o local onde se desenrolam adquirirá importância; aqueles quilómetros quadrados e aquelas verstás ficarão para sempre ligadas ao tempo e ao destino. Reside aí o ponto de intersecção do tempo, da geografia, da vida… Se não houvesse história, a geografia não teria sentido. (…)”

Jorge listopad

Tristão ou a Traição de Um intelectual

in Fruta tocada por falta de Jardineiro

Editora Quasi

 

  Descalçou os sapatos mas não para ocupar a cadeira. Foi peregrinando espaços. Jardineiro atento mas complacente com a desordem própria do crescimento das ervas.

 

Das mãos da Lídia, como sempre, saíram doçuras.      

 

 

A chuva implacável do dia anterior ficou suspensa. O tanque encheu-se de água e de brincadeiras. As mães dividiram com a natureza as preocupações da maternidade.  Afinal, como há doze anos, como desde o início dos tempos, é sempre com ela que partilham o destino.

 

 

Os pequeninos aguardaram impacientes o barulho do papel rasgado no abrir dos presentes do dia do seu próprio aniversário.

 

 

Os crescidos, abençoados por figueiras grávidas de figos, fizeram novelos de esperanças. Os pais fumaram cachimbo ou recordaram o tempo em que o faziam, distribuindo silêncios e palavras. E todos filhos hão-de crescer, no mundo imenso, no meio dos irmãos dispersos, atados aos fios que mães e pais vão tecendo para serem cada dia mais longos, seguindo-os sempre, ansiando para eles, silenciosamente, no meio do ruído dos dias, apenas  felicidade.

 

 

 O Jardim fechou às 18:30. E abrirá amanhã… qualquer dia …sempre que a vida nos permita e a memória nos transporte.

 

Com um imenso obrigado à Tina

Sílvia  

Setembro 2008 “

 

Verão na Eira

Setembro 10, 2008

Nestes meses de calor e férias, de fuga à rotina, às escolas e aos compromissos profissionais, vieram de longe os grupos de amigos com crianças. Connosco se organizaram para disfrutar da casa e  dela fazer o ponto de partida para passar bons momentos de lazer na região, que oferece propostas diversificadas e de rápido acesso, graças à nova A17: 

 

O Parque Natural do Pisão e os ateliers de cerâmica regional da Bajouca, os longos passeios a pé ou de bicicleta à volta da lagoa da Ervideira saboreando o ar fresco do pinhal e as camarinhas silvestres, muitas  idas às  praias onde ainda se pode presenciar a tradicional pesca de Arte Xávega, desde  o Pedrógão até à Nazaré ou Mira, rumando à Figueira da Foz ou uma escapadela até Coimbra, passando pelo castelo de Montemor  para disfrutar da  paisagem ímpar dos arrozais dos campos do Mondego ou por fim, para outros, um percurso até ao santuário de Fátima, ainda um local impressionante de fé e  recolhimento.      

 A casa foi o porto seguro, o  espaço descontraído e confortável que sempre acolheu depois de um dia de passeios na natureza, descobertas gastronómicas, visitas históricas ou de uns bons mergulhos de mar.

2 Fotos:Philippe Pillet                                    

Tardes de banhos e brincadeiras no tanque para grande satisfação dos mais novos, noites  de estrelas na quietude da aldeia, tranquilas e repousantes para longas conversas de amigos,  interrompidas pelos sons dos grilos e das aves nocturnas, são  por certo momentos que levam na memória, quando se fazem à estrada, de volta à cidade grande…     

Obrigado por partilharem o nosso amor pela casa e nos ajudarem a cuidar tão bem dela.