Uma morte anunciada

Foi a meio do Verão, ainda os dias iam grandes,  que reparámos que ela não estava bem: tristonha, murcha e tão amarelada que parecia anunciar um Outono precoce.  

figos-1

Com a passagem do tempo e a mudança da estação, fomo-nos esquecendo dos seus dias tristes, porque tudo ao nosso redor se transformava em tons pastel.  

Neste sábado, logo de manhãzinha, abri a janela do meu quarto pequenino sobre o pátio, para deixar entrar o chilrear do pássaros.

Foi então que a vi… a velha figueira estava tombada por terra.

figueira-2

As suas raízes, já muito frágeis, não tinham resistido à força do vendaval que sobre a casa se abateu na noite anterior.

figueira-11

 

figos1

Restam-nos ainda na despensa uns frascos de compota dos seus figos.

 E num canto esquecido da memória, a despedida serena da minha querida mãe, que deles me pediu nos últimos momentos de lucidez da sua longa vida.

 

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8 Respostas to “Uma morte anunciada”

  1. MarAzul Says:

    Cara amiga Tina,
    As árvores são como as pessoas, nascem, crescem, vivem, dão frutos e morrem. Tal como a grande maioria das pessoas, também são boas amigas.
    Os seus parágrafos finais e a foto dos figos são a prova disso mesmo.
    Beijos da cor do mar,
    Marazul2007

  2. casadatina Says:

    Obrigado António,

    Sempre atento.
    Esta era uma árvore com a qual cresci e a que trepei vezes sem fim.

    Mas, sim, tem razão, é o fim de um ciclo natural. Que ainda irá perdurar por longas noites, enquanto os seus troncos nos aquecerem na lareira.
    Tal como a história “A árvore generosa”, de Silver Stein, editada na Bruá, ela dará tudo de si até ao fim.

    Agora resta-me escolher outra árvore para plantar naquele local, para dar sombra aquela área da casa nos dias quentes de verão.

    Beijos com o aroma da terra,
    tina

  3. António Guimarães Says:

    Lindo!
    Se quiseres posso-te arranjar umas varas de figueira de boa qualidade.
    Beijos
    Guimarães

    • casadatina Says:

      Obrigado, Guimarães

      Pelo elogio e pela prontidão de uma nova árvore.
      Neste espaço onde todos se encontram é difícil plantar uma árvore pequena, rápidamente sucumbiria à força das bolas e às tropelias das brincadeiras dos mais pequenos. Mas aceitarei de bom grado pala plantar noutro local do quintal.
      Combinamos disponibilidades, e será um bom pretexto para uma visita vossa.

      Beijos com o aroma da terra,
      tina

  4. Sílvia Moura Says:

    Querida Tina!

    Como diz MarAzul, e com toda a razão, a vida é mesmo assim. Mas é sempre triste vermos partir um amigo, ainda por cima um velho amigo. As tuas palavras são muito bonitas, alías como tudo em ti.
    Este comentário serve para te dar um abraço e desejar tudo de bom para ti e para a figueirinha que lá vem.

    Abraço com cheiro a figueira (que é um dos meus aromas preferidos)

    • casadatina Says:

      Obrigado, querida Silvia

      Pelo carinho, pelas palavras de amizade coloridas pelo teu coração doce.
      Vem até cá em breve, para poderes saborear o calor e aroma da lareira que a velha figueira decerto ainda nos dará.
      Escrever sobre aquilo que nos é mais caro é uma atitude de organização interna, uma terapia pessoal.
      Este bolg, para além de servir como arauto de boas e más notícias da casa, poupa-nos a explicações em visitas futuras a quem já nos visitou,entendes?
      É o lado prático da questão.

      Tudo de bom para ti, boas “viagens”.
      Beijos com o aroma da terra…molhada,
      tina

  5. Nuno Ribeiro Says:

    Olá Tina!

    Depois de tanta conversa nos jantares do nosso agrupamento, passei pelo teu blog e reparei que a natureza se transformou (Lavoisier).

    Aqui vão umas palavras de conforto:

    Não te perturbes,
    Não te espantes,
    Tudo passa…
    Só Deus não muda.
    A paciência tudo alcança.
    A quem Deus tem nada lhe falta,
    só Deus lhe basta!

    Beijinhos!

    • casadatina Says:

      Olá Nuno,

      Que boa surpresa, encontrar-te por aqui!
      Obrigado pelas tuas palavras solidárias.
      Estou serena, sim. Nada me falta, de essencial. E com amigos destes, como poderia duvidar?
      A paciência aprende-se aos poucos e com ela aprendemos a saber esperar. Para alcançar.
      Deixo-te as palavras do recentíssimo livro do meu amigo Simão Vieira:

      “Acho que só aprendemos bem se estivermos juntos
      e só estamos juntos se esperarmos uns pelos outros.”
      Simão Vieira, Anton, 2009

      Beijos com o aroma da terra,
      tina

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