Páscoa na eira

O tempo da Páscoa na aldeia é um regresso à minha infância, donde vem ainda o cheiro das amêndoas que a minha mãe guardava por vários meses dentro da cristaleira, e a memória das flores  amarelas e roxas que colhíamos nos campos e com que fazíamos coroas para nos enfeitarmos, durante as longas férias da Primavera. 

flores-campestres

Este ano, fomos  surpreendidos por um grupo de homens e mulheres que, retomando recentemente uma das tradições mais remotas da aldeia, vieram Cantar prás Almas,  cantando de porta em porta. e1

c

 

 

 

 

 

 

Este costume da região tem um forte cariz  religioso ( pois vão recolhendo as esmolas para a celebração de missas pela salvação das almas do Purgatório ), mas ao mesmo tempo um traço vincadamente popular  e genuíno. 

 

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 cantar

 

 

 

 

 

 

Apesar da fraca qualidade técnica do vídeo, vale a pena espreitar e ouvir:

http://www.youtube.com/watch?v=iq97kvIa5NY

Nesta passagem demorada na casa, onde ninfas e elfos domésticos iam cozinhando e arrumando,  trazendo e levando, senti-me verdadeiramente de férias.

  Trago ainda comigo na bagagem o chilrear dos pássaros que enchiam o verde do páteo logo ao amanhecer.  

E todos… tantos os mimos recebidos!…

profusao-de-verdes

 Obrigado ao Luís Caldas pelo vídeo e ao Evaldo Barros pelas fotos. 

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6 Respostas to “Páscoa na eira”

  1. António Guimarães Says:

    Lindo e arrepiante!
    Não conhecia esta tradição, que julgo não existir lá para o norte e muito menos nas zonas urbanas.
    Não percas o vídeo, pois as tradições são as nossas raízes a não perder.
    Beijo
    Guimarães

  2. casadatina Says:

    Olá, amigo dos Cantares!

    Tens razão, de facto, ainda hoje me arrepia, porque é uma oração muito forte. Mas lembro-me que na minha infância eles a dado momento cantavam “ajoelhemos por terra, ai que nós somo-los primeiros” e os homens entravam e joelhavam ruidosamente na madeira do alpendre, curvados de boina na mão e rezavam com convicção num profundo acto de recolhimento. E depois retomavam a cantar. Esse era para mim o momento mais arrepiante da semana santa!
    Espero ter feito justiça, enaltecendo aqui a importância da iniciativa dos homens e rapazes que resolveram manter viva a cultura da terra e contribuir também para divulgar as tradições que marcam a nossa diferença.

    Até breve!

    Beijos com o aroma da terra,
    Tina

  3. António Guimarães Says:

    Estas coisas calam fundo.
    Hoje fomos ao Forum da Maia assistir ao Encontro Musical dos Hospitais e falei do teu video ao maestro do Grupo do Hospital da Figueira, que me disse recordar-se do cantar das almas na sua terra, para os lados de Castelo Branco.
    Felizmente ainda há muita gente a interessar-se pela nossa memória. O encontro foi comovedor. Grupos de amadores, como o nosso, que deixariam envergonhados muitos profissionais que por aí se pavoneiam.
    Beijos e até ao encontro
    Guimarães

  4. casadatina Says:

    Sim, acredito que esta tradição seja idêntica em outras regiões; aqui na zona de Leiria sei que há outras localidades que mantêm a tradição.
    Este espaço foi criado com o intuito de partilhar o que se vai passando na casa, e ao seu redor, ao mesmo tempo que procura avivar memórias esquecidas.
    E os cantares tradicionais, desta e doutras regiões, acompanharam sempre de algua forma o meu percurso de vida, nas terras por onde vivi. Será este traço uma manifestação clara do meu lado rural, e às vivências ligadas aos cantares que acompanhavam os trabalhos da terra, da minha infância?
    De qualquer modo, vemo-mos no encontro dos cantares.

    Beijos com o aroma da terra,
    tina

  5. Joaquina Correia Says:

    Olá Tina que bonito estão os canteiros, tão floridos e coloridos. Não conheço esses cantares, mas que boa ideia eles serem recordados e sentidos. Que a Páscoa fosse feliz e tão bonita como as flores do teu jardim.
    Beijinhos e até ao encontro do dia 2, onde vai acontecer o que tanto desejamos.
    de lagos com saudade.
    Joaquina Correia

  6. casadatina Says:

    Olá, Joaquina!

    Obrigado, minha amiga, os canteiros compõem-se de novas tonalidades de semana para semana. A natureza é de facto fantástica. Surpreende-nos a cada momento com a exuberância das flores ou pelos os diferentes matizes de verde que por lá proliferam.
    Que bons ventos do sul te tragam sã e salva até cá acima.Para matarmos as saudades.

    Beijinhos com o aroma da terra,
    Tina

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