Archive for the ‘Festas’ Category

50 anos de Amigos

Outubro 16, 2011

Acordamos com o calor e o sol com que nos brinda  este Outono, e com a azáfama tranquila de muitas mãos cooperantes prepara-se a casa para receber os amigos

      

que  de longe ou de perto vêm para almoçar…

                              

Ao longo da tarde afinam-se as cordas e as vozes, cantam-se canções do norte e do sul, de aquém e de além-mar… e esboçam-se até uns passos de dança!

   

Até os mais novos se juntam e com as suas vozes tímidas saltam dunas, enfrentam o cuco e  decerto acendem as estrelas no céu que brilharão mais tarde na noite escura.

Ao cair da tarde morna amigos recentes defrontam-se em manobras de tabuleiro

 e de forma amena preguiçam-se as conversas

A festa continua: brinda-se aos amigos …

E há várias surpresas, todas distintas:

A primeira, um desfilar de memórias a revelar imagens das vivências da infância

num resumo das mil e uma aventuras com os amigos de sempre.

 Depois, um momento de humor com uma poesia  trazida pelo Zé, O Cume:

http://www.sal.pt/a4_humor/humor_poesia_cume.htm

e um fado canção improvidada, mas muito esforçada e carinhosa do Raul

A Maria ousa partilhar connosco os desenhos do seu blog…

                                                     “4 horas de trabalho”

http://estoriasedesenhos.blogspot.com/2011_08_01_archive.html

O Evaldo  toma em  mãos a apresentação criativa de um fado…com marionetas!

 

 

 

     

Ao som do disco sound, os mais novos  apresentam uma coreografia cheia de ritmo e alegria que continua noite dentro, com música e danças no pátio, no telheiro e até  sobre a mesa, onde quase todos se atrevem a ousar  improvisos de dança, de forma bem divertida!!

      

” Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.”
Óscar Wilde
 Obrigado a todos os meus Amigos, presentes e ausentes,
por me ajudarem a chegar aqui, a ser o que sou, quem eu sou!…
Beijos a todos, com o aroma da terra
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50 Outonos depois…

Outubro 13, 2011

 

Naquele Outono longínquo, a minha chegada não foi tranquila. Foram dias atribulados, os primeiros 16  da minha vida. Até que a tenacidade de alguns garantiu de forma clara a minha sobrevivência. Ou a minha determinação foi  posta  à prova, pois cedo tive que lutar para viver.

 Bem pequena comecei a ouvi esta história rodeada de angústia e de generosidade.

É  a celebração da vida que se prepara, então.

Dos campos colhem-se cores e  formas delicadas da natureza com que se enfeita a casa para acolher a família.

Chegam ao incio da tarde…discretamente, com suavidadade e amor.

No calor da tarde, refrescam-se os mais novos nas brincadeiras no tanque e o pátio enche-se de gargalhadas frescas e cristalinas…

 

 

enquanto os mais velhos preferem a sangria de frutos vermelhos para matar a sede neste dia de verão tardio…                    http://www.ingredientesecreto.tv/ 

Escolhe-se a sombra para desfiar as memórias e patilhar projectos para o futuro, enquanto a tarde se escoa serenamente.

Os mais novos exploram este chão antigo com a confiança de várias gerações…

            

enquanto as tias se deliciam com a ternura dos bebés

Debaixo da velha figueira, a mesa  colorida das guloseimas faz as delícias dos mais pequenos…

enquanto se ultimam pormenores do filme surpresa, a projectar ao cair da noite

As mãos generosas e sábias da Rosa e da Zaira prepararam da doçaria as receitas mais apreciados

                                      

Brinda-se à vida, à família!!

Obrigado a todos por este dia sereno e feliz!

Obrigado ao Rui pelas fotos

Celeiro das Artes

Outubro 18, 2008

Para um fim de semana deste soalheiro Outono, a casa acolheu alguns amigos distantes que, para além do prazer do reencontro e das conversas que deixaram a germinar alguns projectos, contribuiram para momentos de partilha de várias artes.

Ao longo das horas luminosas do dia, dos passeios pelos arredores iam chegando pequenas criações efémeras, embelezando a mesa onde desaguavam iguarias bem diversas e apetitosas, trazidas por todos.

 De longe iam chegando ecos de amigos ausentes e que, graças às novas tecnologias, nos fizeram sentir um pouco da alegria nesses jardins tão musicais, pois lá tocavam nesse dia.

Ao cair da noite, o antigo celeiro da casa foi tomado de assalto por “mui nobres cavaleiros” de capa e espada, arautos de um pretenso Conde de Barros e Gessos, querendo avaliar da honra e a pureza de pensamentos da donzela que a habita, apanhando todos de surpresa, tanto a suposta donzela quanto o engessado conde. Foi um momento verdadeiramente hilariante, gerado nas artes da recriação histórica, e pura invenção para um local tão plebeu.

 A noite estava tão fria que nem o bom tinto nem a sangria faziam aquecer os corpos; assim, foi já no aconchego da lareira no interior da casa que continuaram a desenrolar-se as palavras, as imagens e os sons, por vozes e mãos bem diversas:

Por momentos, levaram-nos até castelos flutuantes onde as ninfas eram as únicas companheiras de um velho rei…

” (…) Foram chamadas pela riqueza de meus sonhos, dissera-me Calina, a primeira que chegou. Trouxe-me alimentos e uma vela amarela, para acender quando minha alma pressentisse a escuridão. Nunca haverá trevas nem sonhos maus, disse-me num sopro.

(…) Lísias era a mais velha de todas e a que possuía o espírito mais liberto. Cabelos em caracóis às vezes loiros, outras vezes escuros, chegava sempre com imenso sorriso, dava-me banho e fazia massagens às costas com suas mãos coloridas. Contava-me histórias e brincava às marionetas como uma criança mágica. Deu-me o dom da alegria e o poder do verbo acreditar…

(…) Tirsa foi a que ficou mais tempo! Pequenina e ágil, pele cor de bronze e cabelos castanhos, dava-me banhos e preparava deslumbrantes banquetes. Percorria as imediações à procura dos melhores temperos e ingredientes para seus acepipes. Fazia tudo com apenas um braço enquanto o outro, imaginário, dançava suavemente enquanto narrava as mais belas histórias de amor…

(…) Sandra trouxe-me flores e pérolas e Selena uma esponja para banhos suave como nuvens de açúcar. Enquanto Selena passava suavemente a esponja sobre meu corpo, Sandra cantava melopeias e narrava histórias engraçadas. Depois Selena massajava meus pés ou o corpo todo com óleos trazidos de terras distantes…

O rei, exilado em seus próprios domínios, recorda agora aquele tempo ao qual chamou “A Era das Ninfas”. Solitário entre convivas de madeira e papel, ainda dança pelos salões em noites de lua clara, enquanto suas lágrimas espalham-se sobre os céus da invicta cidade.”

Evaldo Barros, As Mãos das Ninfas, 2008

Depois, embarcamos numa outra viagem pela Rota da Seda, feita de fragmentos de luz e cores do oriente, acordando memórias de viagens passadas.

A elas se juntaram, logo de seguida, no recente vídeoclip dos swordswing, a música, imagens mágicas e as palavras  do João Pedro Costa, que repetidamente questionavam Como é o Corpo de Deus? …                

 www.myspace.com/swordswing

E, antes do final da noite, houve ainda tempo para ouvir Mistic, criado pelo elemento mais novo do grupo que, à falta de companheiros de brincadeira da sua idade, ao longo do dia decidiu explorar um novo programa do pai e nos surpreendeu apresentando a sua experiência.

Na casa, afinal, couberam todos os que puderam vir.

E cada um deixou nos outros, estou certa, um rasto da sua passagem…

Doze Primaveras

Setembro 23, 2008

A casa  faz muito mais sentido quando é habitada pelas pessoas de que mais gostamos:  tardes e noites tranquilas, conversas que fluem à roda da mesa ou das espreguiçadeiras, a pretexto de um livro, direitos de autor, uma viagem ou até os filhos. Tertúlias serenas a contrastar com a alegria das crianças que enche o pátio de corridas e gargalhadas, aproveitando o calor do sol para os banhos no tanque ou o escuro da noite para se aventurarem às escondidas nos recantos mais sombrios da casa.

É por esta boa energia que todos trazem à casa, uns e outros, que é sempre um enorme prazer partilhar a casa com os Amigos. Que por sua vez trazem novos amigos e assim a rede se vai alargando quase por acaso, no encontro das conversas.

E porque são eles os principais protagonistas nesta história, decidi aceitar a generosidade da Sílvia Alves, que com a sua enorme sensibilidade e sabedoria teceu as palavras e  fotos que aqui vos deixamos, para que o aroma e calor da festa não perdure apenas nas nossas lembranças. 

“Numa  casa onde continuamos a ter céu e sol depois de entrarmos, construída de tempo, afectos e paciência, recebe-nos uma bonita fada sorridente, a quem vamos devolvendo sorrisos ao reencontrá-la num cesto de pão fresco, num ramo de flores ou na brancura dos lençóis de camas antigas. 

 

 

Numa casa, já muitas vezes visitada por gente que vem de longe. Marina Colassanti esteve aqui, uma tarde, tecida na voz de Evaldo Barros: “Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear (… ) Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.” Tecer a vida com palavras é tudo o que fazemos.

 

 

Numa casa onde, por uma ou muitas vezes que vos for dado aqui passar, as estrelas à noite ou a conversa semeada pelos cantos hão-de soprar-vos sonhos de almas viajantes, celebrámos este ano, duplamente, uma dúzia de Primaveras. As da Joana e as da Francisca. Nascidas ambas a 6 de Setembro de 1996, num início de tarde, num dia igual em geografias diferentes. Conheceram-se há seis anos, que voaram num sopro, por obra do acaso, a propósito de histórias e de livros. E hão-de seguir caminhos diversos onde, desejamos, haja sempre amigos a chegar ou a serem lembrados.

 

“Não tenhamos receio das velhas lendas, pois a vida é mais velha que todas elas. As lendas podem nascer em todos os lugares, mas não viver em todos os lugares. Talvez possam viver em toda a parte… mas o local onde se desenrolam adquirirá importância; aqueles quilómetros quadrados e aquelas verstás ficarão para sempre ligadas ao tempo e ao destino. Reside aí o ponto de intersecção do tempo, da geografia, da vida… Se não houvesse história, a geografia não teria sentido. (…)”

Jorge listopad

Tristão ou a Traição de Um intelectual

in Fruta tocada por falta de Jardineiro

Editora Quasi

 

  Descalçou os sapatos mas não para ocupar a cadeira. Foi peregrinando espaços. Jardineiro atento mas complacente com a desordem própria do crescimento das ervas.

 

Das mãos da Lídia, como sempre, saíram doçuras.      

 

 

A chuva implacável do dia anterior ficou suspensa. O tanque encheu-se de água e de brincadeiras. As mães dividiram com a natureza as preocupações da maternidade.  Afinal, como há doze anos, como desde o início dos tempos, é sempre com ela que partilham o destino.

 

 

Os pequeninos aguardaram impacientes o barulho do papel rasgado no abrir dos presentes do dia do seu próprio aniversário.

 

 

Os crescidos, abençoados por figueiras grávidas de figos, fizeram novelos de esperanças. Os pais fumaram cachimbo ou recordaram o tempo em que o faziam, distribuindo silêncios e palavras. E todos filhos hão-de crescer, no mundo imenso, no meio dos irmãos dispersos, atados aos fios que mães e pais vão tecendo para serem cada dia mais longos, seguindo-os sempre, ansiando para eles, silenciosamente, no meio do ruído dos dias, apenas  felicidade.

 

 

 O Jardim fechou às 18:30. E abrirá amanhã… qualquer dia …sempre que a vida nos permita e a memória nos transporte.

 

Com um imenso obrigado à Tina

Sílvia  

Setembro 2008 “

 

Amélia

Julho 10, 2008

Amélia

 

(…)

Era uma vez um país

Na ponta do fim do mundo 

Onde o mar não tinha eco  

Onde o céu não tinha fundo

Onde longe longe longe

Mais longe que a luz do dia

Mais longe que a flor da sombra

Ou a flor da ventania

Uma princesa nascia

Da corola do seu tempo

Enquanto a neve caía

Dos seus dois braços de vento.

 

José Carlos Ary dos Santos (1937 / 1984)

 

 

 

Neste tempo de santos populares o pátio da casa encheu-se do cheiro da sardinha assada e das marchas, numa festa bem portuguesa…   

                                                 

 

 

 

 

                                                                 

 

 

 

 

 

 

 Mas foi muito mais do que isso.  

Com aromas de tinto e de rum, não faltou também  o ritmo e calor da rumba, da salsa e do merengue, e até das sevilhanas, num diálogo de culturas, de aproximação, descoberta, aceitação e enriquecimento.

E muita, muita alegria!   

 

  

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 
 
 

 

 

 A história começou há 4 anos, com a chegada da Amélia a Portugal, dentro do programa AFS, vinda do calor da República Dominicana.    

Chegou, conquistou, cresceu e venceu!…    

Aos poucos o longe faz-se perto, criam-se laços entre a família de lá, e a de acolhimento de cá. E neste encontro de culturas tecem-se amizades. E o eco decerto perdurará.   

 

 

E todos veremos a nossa princesa voar cada vez mais alto…  

 
 
 
 

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

Festa de Outono

Novembro 7, 2007

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Foi um encontro de amigos, onde as memórias se tornaram tão vivas como as músicas e danças do nosso cancioneiro popular que por ali se reacenderam, acordando  sonoridades remotas desta casa. Algumas delas tão próximas das canções de trabalho que outrora se ouviam ao redor da casa, enquanto ranchos de homens e mulheres trabalhavam nos campos, ou na eira, enquanto se desfolhava o milho.  Outras de lugares mais distantes, do Minho ao Algarve, de Goa a Macau.

Ou não fossem estes amigos companheiros de Danças e Cantares por terras do Oriente…