Archive for the ‘Yoga’ Category

Yoga na aldeia

Outubro 10, 2009

Vieram da cidade grande em busca da tranquilidade, da energia da natureza.

Enquanto não chegavam as tão prometidas chuvas do Outono , adormeceram com o piar da coruja,  nos pinheiros ali perto…

noite

e acordaram cedo na madrugada ao cantar dos galos na vizinhança,

para saborearem a luz soalheira dos dias.

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Povoaram a casa de risos e de silêncios, e de harmonia na entoação dos mantras… 4Entretanto à cozinha  chegavam os produtos da natureza, gentilmente seleccionados e trazidos  pela vizinhança e doces  preparados por mãos generosas, que tranquilamente iam chegando à mesa.

laranjas tarde

M Peq. almoço

tina 48

E na partilha das emoções, entre lágrimas e sorrisos, sentimos uma força nova, pacificadora.

GRUPO YOGA-A

Muito Obrigado a todos, por terem vindo.

E agradeço à Marta Ré,  pela luminosa  foto do grupo!

Mais fotos incríveis?!

http://yogabindu.blogspot.com/2009/10/fotos-do-iii-retiro-de-yoga-casa-da.html

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer.

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no sítio deste outeiro

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu.

(…)

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, 1911-1912

Yoga em Dezembro

Dezembro 13, 2008

Num fim de semana chuvoso e frio, a antecipar o Inverno que se aproxima, o Simão trouxe consigo gente muito tranquila para mais um retiro de Yoga. Mas a casa que em Março o recebeu com sol e calor e se desdobrou em espaços múltiplos para actividades luminosas no exterior, revelou-se agora um espaço mais cinzento, mais silencioso, mais intimista.

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Partilhamos jantares em silêncio, quebrado pelo som da  chuva a cair no telhado, saboreamos a comida devagar, à luz  fogueante da lareira acesa,   aconchegados  na franqueza de um abraço ou na calma com que nos envolve  um olhar sereno.

 

                                         

                                       
“Não és o corpo, não és os sentimentos e não és os pensamentos.
És a consciência silenciosa que observa tudo isso.
Repousa a mente nesse silêncio e descobrirás quem realmente és.”
Aruna

Foi muito forte, física e emocionalmente damos muito. Mas recebemos sempre mais…

Obrigado ao Ricardo Marques por partilhar as suas fotos e à Joana Soares por partilhar as suas leituras…

Deixo aqui também a receita de um prato tradicional da região, as migas:

Ingredientes:

 

1 Broa de milho

1 tigela de feijão frade

2 molhos de nabiça

10 dentes de alho

+ ou – 6 dl de azeite

Sal marinho não refinado

 

Escolhe-se o feijão frade, depois de bem seco na eira.

Amassa-se a broa com a farinha do milho seco e debulhado na eira, e coze-se em forno aquecido com lenha. 

Apanham-se as nabiças da horta, onde cresceram tranquilamente com o estrume dos animais e a chuva deste Inverno.

Põe-se o feijão frade de molho umas horas antes. Coze-se em água e sal, o tempo bastante para ficar inteiro. Escorre-se e reserva-se.

Parte-se a broa aos pedacinhos bem pequenos. Reserva-se.

Pica-se o alho.

Lava-se e escolhe-se a nabiça, aproveitando troncos e folhas e cortam-se bem finos.

Cozem-se em bastante água e sal, já a ferver, durante cinco ou seis minutos (mexem-se para ficarem verdes). Escorrem-se bem no escorredor e reservam-se (regam-se com um pouco de azeite para se manterem verdes).

Põe-se o azeite num tacho com o alho picado e deixa-se fritar um pouco, sem alourar;

Junta-se a broa em pedacinhos e vai-se mexendo até alourar um pouco, depois junta-se também o feijão frade e mistura-se bem. Desliga-se o lume e juntam-se as nabiças cozidas, misturando bem.

Estão as migas da casa prontas a servir.

Bom apetite!

 

Yoga na casa da eira

Março 20, 2008

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Não tenho pressa. Pressa de quê?
    
 
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
   
 
 
 
 
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,

Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.

Não; não tenho pressa.

Se estendo um braço, chego exactamente onde o meu braço chega

Nem um centímetro mais longe.

Toco só onde toco, não onde penso.

Só me posso sentar onde estou.

E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,

Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra cousa,

E somos vadios do nosso corpo.
 

Alberto Caeiro
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Neste dia em que os campos são de Apollo

Verde colonia dominada a ouro

Seja como uma dança dentro de nós

    O sentirmos a vida.

Não turbulenta, mas com os seus rhythmos

Que a nossa sensação como uma nynpha

Acompanhe em cadências suas a

              Disciplina da dança…

(…)

E na nossa memoria colloquemos,

Com um deus novo d’uma nova terra

Trazido, o que ficou em nós da calma

             Do dia passageiro.

                                                   Ricardo Reis

Encheram esta casa com uma tranquilidade imensa e deram-nos  energia nova,   uma   energia boa. A casa da eira ganhou outra dimensão, mais pacificadora.

Obrigado por terem vindo.

Obrigado à Barbara por algumas fotos. E ao Simão por ter partilhado as suas leituras. 

A essência da prática do Yoga está na liberdade, na elegância natural, na paz e na beatitude do samádhi, em que corpo, mente e alma se unem e fundem com o Espírito Universal. Yoga é Um!
b.k.s. Iyengar

nota: para saber mais sobre Yoga e o yogui Simão vá até:

http://www.svatantryayoga.blogspot.com/