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As fadas descem à casa

Setembro 3, 2009

Enquanto decorrem os dias longos  de Verão, tempo de sol e dos amores breves,  aproveitamos para deixar que a cor e o calor  nos invada os sentidos, nas suas  diversas facetas, com as suas múltiplas texturas e sabores, dos pés à cabeça.

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Festejamos as dádivas da natureza:  respiramos o cheiro do milho a secar nas eiras, que trazemos impregnado nas memórias da nossa infância;

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Passeamos entre girassóis semeados por mãos pequeninas, embalados por sons de cigarras e o zumbido das abelhas;

maçã

macieira]

e deixamos que uma paleta  de cores das frutas sãs, colhidas sem pressa…

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…se espalhem em aromas pela cozinha grande, adocicando os dias a quem por ali preguiça as tardes mornas e se conservem em saborosas compotas na despensa, que nos hão-de alegrar as manhãs frias e cinzentas do ano.

Mas há quem aproveite para recolher da natureza, ao redor da casa, outros elementos…

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que em tão hábeis mãos rapidamente se transformam em estranhos seres, que repousam à tardinha pela casa.

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Dia após dia, nascem novas criaturas mágicas que nos espreitam…

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E para a última noite,  tudo está em ordem.

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Reunem-se na casa alguns familiares da aldeia, novos e velhos amigos, para celebrar a alegria da vida e  fruir do prazer e da beleza da arte de criar.

E quando a lua finalmente vem, a magia acontece…

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Todos estamos muito gratos ao Evaldo por aceder a fazer esta semana de residência artística na casa e pela sua imensa generosidade na partilha.

 

 

 

Quando a tarde cai

e o céu acende as estrelas

 para iluminar

mais uma noite na terra,

as criaturas mágicas

despertam

para mais uma longa jornada

de cuidados com a natureza.

As pequeninas fadas

entoam canções milenares

enquanto desabrocham as flores,

amadurecem os frutos,

fazem brotar dos campos

a verde vegetação

que cobre a paisagem imensa…

Preparam o leito dos animais,

adormecem os pássaros,

colhem o mais doce mel

e minúsculas gotas de orvalho…

Após estarem cumpridas

todas as tarefas

cirandam pela Eira

e brincam ao luar.

À sua presença

o bosque é inundado

de encantamentos,

e num passe de mágica

todas as criaturas criam vida

e celebram a alegria de viver.

Evaldo Barros, 30 de Agosto

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